Jesus Christ — O Homem Que Mudou Tudo
O Homem Que Mudou Tudo
No reinado de Tibério César, numa província remota na fronteira oriental do Império Romano, um artesão galileu começou a pregar ao ar livre. Não tinha exército, não ocupava cargo algum, não escreveu livros. Seu ministério público durou aproximadamente três anos. Foi executado por crucificação — castigo que Roma reservava a escravos e rebeldes — com cerca de trinta e três anos de idade. Em três séculos, a religião fundada em seu nome havia se tornado a fé oficial do império que o matou. Hoje, mais de dois bilhões de pessoas se dizem seus seguidores. Nenhuma vida isolada deixou marca mais profunda na história da humanidade.
“Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem.”
c. 4 a.C. – 30 d.C.
Nascido em Belém durante o reinado de Herodes, o Grande (morto em 4 a.C.), criado em Nazaré, na Galileia. Crucificado em Jerusalém sob o prefeito romano Pôncio Pilatos, provavelmente na primavera de 30 d.C. As datas exatas permanecem em debate — alguns estudiosos situam a crucificação em 33 d.C.
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O ministério público de Jesus — de seu batismo por João Batista até sua crucificação — durou aproximadamente três anos, segundo as referências do Evangelho de João a três festas da Páscoa. Os Evangelhos Sinóticos poderiam ser lidos como sugerindo um ministério mais curto, de um ano.
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Jesus escolheu doze discípulos próximos — os Apóstolos —, número que ecoava deliberadamente as doze tribos de Israel. Entre eles havia pescadores (Pedro, André, Tiago, João), um cobrador de impostos (Mateus) e um zelote (Simão). Um deles, Judas Iscariotes, viria a traí-lo.
2,4 bi+
O Cristianismo é a maior religião do mundo, com mais de 2,4 bilhões de fiéis — cerca de um terço da população global. Abrange tradições católica, ortodoxa, protestante e inúmeras outras, espalhadas por todos os continentes da Terra.
Fundador do Cristianismo, pregador itinerante, mestre de um amor e perdão radicais cuja vida e morte remodelaram os fundamentos morais da civilização ocidental
Eventos Decisivos
O Sermão da Montanha
O discurso ético mais famoso da história, registrado nos capítulos 5 a 7 de Mateus. Numa colina da Galileia, Jesus expôs uma visão moral radical: bem-aventurados os pobres de espírito, os mansos, os pacificadores. Amai os vossos inimigos. Oferecei a outra face. Não ajunteis tesouros na terra. Não julgueis, para não serdes julgados. Foi ali que ensinou o Pai-Nosso. As Bem-Aventuranças subverteram toda medida convencional de sucesso. Não era um programa político — era uma revolução do coração, e moldou a filosofia moral, o direito e a literatura por dois mil anos.
A Última Ceia
Na noite anterior à sua crucificação, Jesus reuniu seus doze apóstolos para uma refeição pascal num cenáculo em Jerusalém. Partiu o pão e compartilhou o vinho, dizendo-lhes: "Isto é o meu corpo... isto é o meu sangue da aliança, derramado por muitos." Lavou-lhes os pés — tarefa de um servo — e previu que um deles o trairia. Judas Iscariotes deixou o recinto. A refeição tornou-se o fundamento da Eucaristia cristã, o ritual mais amplamente praticado na história das religiões.
A Crucificação
Após uma noite de prisão, julgamento perante o Sinédrio e interrogatório por Pôncio Pilatos, Jesus foi açoitado, obrigado a carregar sua própria trave transversal pelas ruas de Jerusalém, e crucificado no Gólgota ao lado de dois criminosos. Segundo Marcos, a escuridão cobriu a terra da sexta à nona hora. Suas últimas palavras variam conforme o Evangelho — "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Marcos/Mateus) ou "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito" (Lucas). Morreu no fim da tarde. José de Arimateia obteve o corpo e o depositou num túmulo escavado na rocha.
Linha do Tempo
Nascido em Belém
Jesus nasce em Belém da Judeia durante o reinado de Herodes, o Grande. Mateus e Lucas apresentam relatos diferentes da natividade — Mateus enfatiza os Magos e a fuga para o Egito; Lucas descreve pastores e uma manjedoura. Ambos concordam quanto a Belém e à virgindade de Maria no momento da concepção. A família se instala em Nazaré, pequena vila da Galileia com talvez quatrocentos habitantes.
O Menino no Templo
Aos doze anos, Jesus viaja com os pais a Jerusalém para a Páscoa. Perdem-no na multidão e o encontram três dias depois no Templo, sentado entre os mestres, fazendo perguntas e surpreendendo-os com sua compreensão. Quando Maria o repreende, ele responde: 'Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai?' Lucas é o único Evangelho a registrar esse episódio — o único vislumbre de Jesus entre a infância e a vida adulta.
Batismo por João Batista
Jesus vai ao rio Jordão e é batizado por João, pregador asceta e fervoroso que conclamava Israel ao arrependimento. Os quatro Evangelhos registram o episódio. Segundo Marcos, ao sair da água, os céus se 'abrem em fenda', o Espírito desce como uma pomba, e uma voz declara: 'Tu és o meu Filho amado.' O batismo marca o início de seu ministério público. Ele tem aproximadamente trinta anos.
A Tentação e o Chamado dos Doze
Após quarenta dias de jejum no deserto da Judeia — onde os Evangelhos Sinóticos descrevem um confronto com Satanás —, Jesus retorna à Galileia e começa a pregar: 'O reino de Deus está próximo.' Chama seus primeiros discípulos — Simão Pedro e André, Tiago e João — de seus barcos de pesca no mar da Galileia. Nas semanas seguintes, escolhe doze apóstolos.
O Ministério na Galileia
Jesus percorre a Galileia ensinando nas sinagogas, ao ar livre e às margens do mar da Galileia. Ensina por parábolas — o Bom Samaritano, o Filho Pródigo, o Semeador e a Semente. Cura os doentes, alimenta multidões e atrai multidões enormes. Sua fama se espalha pela Síria e além. As autoridades religiosas começam a notá-lo — e a se preocupar.
A Confissão de Pedro em Cesareia de Filipe
Jesus pergunta a seus discípulos: 'Quem dizem os homens que eu sou?' Eles oferecem respostas diversas — João Batista, Elias, um dos profetas. 'Mas vós, quem dizeis que eu sou?' Simão Pedro responde: 'Tu és o Messias.' Jesus começa a falar abertamente de seu sofrimento e morte iminentes. Pedro o repreende; Jesus repreende Pedro em resposta: 'Para trás de mim, Satanás.' Segue-se a Transfiguração — num alto monte, Pedro, Tiago e João veem o rosto de Jesus brilhar como o sol.
A Entrada Triunfal em Jerusalém
Jesus entra em Jerusalém montado num jumento — cumprimento deliberado, enfatizam os Evangelhos, da profecia de Zacarias. As multidões estendem ramos de palmeira e mantos pelo caminho, gritando: 'Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!' Em poucos dias, ele derrubará as mesas dos cambistas no Templo, ato provocador que sela seu destino junto ao establishment sacerdotal.
Prisão, Julgamento e Crucificação
Após a Última Ceia, Jesus ora no jardim do Getsêmani. Judas chega com uma multidão armada e o identifica com um beijo. Jesus é julgado perante o sumo sacerdote Caifás, depois levado a Pôncio Pilatos, que não encontra motivo para pena capital, mas cede à exigência da multidão. Jesus é açoitado, escarnecido e crucificado no Gólgota. Morre após aproximadamente seis horas na cruz. José de Arimateia o sepulta num túmulo escavado na rocha.
Figuras Centrais
Maria, Mãe de Jesus
A jovem de Nazaré que, segundo os Evangelhos, concebeu Jesus pelo Espírito Santo e o gerou permanecendo virgem. Esteve presente na crucificação quando a maioria dos discípulos havia fugido — de pé ao lado da cruz, segundo o Evangelho de João. Desde as tradições mais antigas foi venerada como Theotokos ('a que dá à luz Deus'). Aparece em momentos cruciais: a natividade, o episódio no Templo, as bodas de Caná, onde provoca seu primeiro milagre, e no Gólgota. Seu 'sim' ao anúncio do anjo Gabriel — o Magnificat — tornou-se um dos hinos mais celebrados da liturgia cristã.
Simão Pedro
Pescador galileu de Betsaida que se tornou líder dos doze apóstolos e, segundo a tradição católica, o primeiro bispo de Roma. Impulsivo e apaixonado — caminhou sobre as águas e depois afundou, jurou que jamais negaria Jesus e o negou três vezes antes que o galo cantasse. Ainda assim, Jesus o chamou de 'Pedro' (Petros, 'rocha') e declarou: 'Sobre esta rocha edificarei a minha igreja.' Após a ressurreição, Pedro liderou a comunidade primitiva em Jerusalém e, segundo a tradição, foi crucificado de cabeça para baixo em Roma sob Nero.
O Legado de Jesus Christ
Nenhuma figura na história foi mais debatida, mais adorada, mais incompreendida ou mais decisiva. O Jesus histórico — o mestre galileu que pregou o reino de Deus, desafiou o establishment do Templo e foi executado por Roma — é atestado por múltiplas fontes antigas: os quatro Evangelhos, as cartas de Paulo (escritas dentro de duas décadas após a crucificação), o historiador judeu Flávio Josefo, os historiadores romanos Tácito e Plínio, o Jovem. O que se pensa sobre as alegações da ressurreição é uma questão de fé. O que está além de qualquer disputa é a escala do impacto.
De um punhado de seguidores atemorizados num cenáculo em Jerusalém, o Cristianismo cresceu até se tornar a religião dominante do Império Romano em três séculos, e hoje reúne mais de dois bilhões de fiéis em todo o mundo. Seus ensinamentos sobre amor, perdão, misericórdia e a dignidade de cada ser humano moldaram o direito, a arte, a filosofia e o imaginário moral da civilização ocidental. Leia sua história em suas próprias palavras — o ePub em primeira pessoa o leva ao íntimo da mente do homem de Nazaré.
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