Nefertiti — A Bela Chegou

Antiguidade Líder
Nefertiti — A Bela Chegou — book cover

A Bela Chegou

Nascimento c. 1370 BC
Morte c. 1330 BC
Região Egito
DESCUBRA

No século catorze antes da era comum, uma rainha se ergueu ao lado do marido e derrubou os deuses do Egito. Nefertiti — cujo nome significa "a bela chegou" — não foi apenas a Grande Esposa Real do faraó Aquenáton. Foi, segundo a maioria dos estudiosos, sua correinante, sua igual em autoridade religiosa, e força motriz por trás do experimento teológico mais radical da história antiga: a abolição de todo o panteão egípcio em favor de um único deus, Aton. Foi retratada golpeando inimigos, conduzindo carros de guerra e fazendo oferendas ao disco solar — privilégios reservados exclusivamente aos faraós. Então, por volta do Ano 12 do reinado de seu marido, desapareceu por completo do registro histórico. Seu destino permanece um dos grandes mistérios não resolvidos da egiptologia.

Expectativa de Vida

c. 1370–1330 a.C.

Nascida durante a era de ouro do Egito, sob a Décima Oitava Dinastia. Viveu o período teologicamente mais turbulento da história egípcia e pode ter governado como faraó por direito próprio após a morte do marido. Suas datas exatas de nascimento e morte permanecem incertas.

Filhas

6

Meritaton, Meketaton, Anquesenpaaton (mais tarde Anquesenamun, esposa de Tutancâmon), Neferneferuaton Tasherit, Neferneferure e Setepenre. Todas nascidas em aproximadamente dez anos. Meketaton provavelmente morreu no parto, por volta do Ano 13–14. Nenhum filho homem é registrado.

Anos como Rainha

~17

Desde a ascensão de Amenófis IV (mais tarde Aquenáton) por volta de 1353 a.C. até seu desaparecimento do registro por volta de 1336 a.C. Alguns estudiosos acreditam que ela continuou governando como a faraó Neferneferuaton após a morte de Aquenáton.

Dinastia

18ª

A Décima Oitava Dinastia do Egito — a dinastia de Tutmés III, Hatshepsut e Amenófis III. A mais poderosa casa real do Novo Império, que governou o Egito no auge de seu alcance imperial, da Núbia à Síria.

Conhecido Por

Rainha do Egito, revolucionária religiosa, correinante da heresia de Aton, dona do rosto mais famoso da arte antiga

Eventos Decisivos

Relief of Nefertiti making offerings to the Aten — Brooklyn Museum
c. 1348 a.C.

A Revolução de Aton

No quinto ano de seu reinado, Amenófis IV mudou o nome para Aquenáton — "Eficaz para Aton" — e Nefertiti adotou o nome adicional de Neferneferuaton. Juntos desmantelaram o culto de Amon, fecharam templos por todo o Egito e redirecionaram a riqueza do sacerdócio para a adoração de uma única divindade: Aton, o disco solar. Foi o mais próximo que o mundo antigo chegou do monoteísmo. Nefertiti não foi uma consorte passiva nessa revolução — é retratada fazendo oferendas a Aton de forma independente, papel antes reservado apenas ao faraó. Os antigos sacerdotes foram despojados de poder. Os antigos deuses, proibidos. O Egito jamais voltaria a ser o mesmo.

Two Amarna princesses — wall painting fragment, c. 1345 BC, Metropolitan Museum of Art
c. 1346 a.C.

A Cidade do Horizonte

Aquenáton e Nefertiti abandonaram Tebas — a capital tradicional e sede do sacerdócio de Amon — e ergueram do nada uma capital inteiramente nova no deserto: Aquetáton, o "Horizonte de Aton", conhecida hoje como Amarna. A cidade se estendia pela margem leste do Nilo, no Egito Médio, com palácios, templos abertos ao céu (Aton não precisava de santuários escuros), oficinas e residências reais. Em seu auge, talvez trinta mil pessoas vivessem ali. Nefertiti ocupava o Palácio Norte. A cidade durou pouco mais de quinze anos antes de ser abandonada e desmantelada pelos sucessores de Aquenáton, que queriam apagar todo vestígio da heresia.

Stele showing Nefertiti and Akhenaten beneath the rays of the Aten — c. 1345 BC, Neues Museum, Berlin
c. 1336 a.C.

O Desaparecimento

Por volta do Ano 12 do reinado de Aquenáton, Nefertiti desaparece do registro histórico. Nenhuma morte é registrada. Nenhum túmulo foi identificado com certeza. Uma teoria sustenta que ela morreu — talvez na peste que assolou o Egito nessa época. Outra defende que foi elevada a correinante sob o nome de trono Neferneferuaton, tornando-se efetivamente faraó ao lado do marido. Uma terceira sugere que governou sozinha após a morte de Aquenáton, antes de o rei-menino Tutancâmon assumir o trono. Em 2015, o arqueólogo Nicholas Reeves propôs que sua câmara funerária poderia estar escondida atrás das paredes do túmulo de Tutancâmon, no Vale dos Reis — mas as varreduras de radar produziram resultados inconclusivos.

Linha do Tempo

c. 1370 a.C.

Nasce no Egito

Nefertiti nasce, provavelmente em Tebas. Sua origem familiar é incerta, mas fortes indícios circunstanciais sugerem que era filha do cortesão Ai, que mais tarde se tornaria ele próprio faraó após a morte de Tutancâmon. Seu nome — "a bela chegou" — levou alguns estudiosos antigos a especular que fosse uma princesa estrangeira, mas a maioria dos egiptólogos hoje acredita que ela nasceu egípcia.

c. 1353 a.C.

Casamento com Amenófis IV

Nefertiti se casa com Amenófis IV, provavelmente por volta dos quinze anos. Ele é herdeiro do trono de Amenófis III, que presidiu o Egito no auge de sua riqueza e poder. Juntos terão seis filhas. Desde o início do reinado, Nefertiti aparece ao lado do marido com uma frequência e proeminência sem paralelo entre as rainhas egípcias.

c. 1348 a.C.

Começa a Revolução de Aton

No Ano 5, Amenófis IV muda o nome para Aquenáton e Nefertiti adota o nome adicional de Neferneferuaton. Ambos começam a promover sistematicamente Aton — o disco solar — como única divindade do Egito, suprimindo o culto de Amon e fechando templos. A riqueza do sacerdócio de Amon é redirecionada para a nova religião. É a mais radical convulsão teológica da história egípcia.

c. 1346 a.C.

Fundação de Aquetáton

O casal real abandona Tebas e funda uma nova capital em um sítio virgem no Egito Médio: Aquetáton, o "Horizonte de Aton". Estelas de fronteira são talhadas nos penhascos marcando os limites da cidade. Aquenáton jura nunca expandir além dessas fronteiras. A cidade é construída com templos a céu aberto, palácios reais e uma vila de trabalhadores.

c. 1345 a.C.

Auge do Poder

Nefertiti é retratada em paredes de templos e estelas em poses de autoridade real: golpeando inimigos, conduzindo carros de guerra e fazendo oferendas a Aton sem a presença do marido. Usa a coroa azul de topo achatado que se torna sua marca registrada. O escultor Tutmés cria o busto de calcário pintado que se tornará uma das obras de arte mais famosas da história humana — embora não seja descoberto por mais de três mil anos.

c. 1341 a.C.

Ano 12 — O Grande Durbar

Uma grande cerimônia em Aquetáton recebe tributos de nações estrangeiras. É um dos últimos grandes eventos em que Nefertiti é claramente retratada. Pouco depois, sua segunda filha, Meketaton, parece morrer, possivelmente no parto. Cenas no Túmulo Real de Amarna mostram a família real de luto sobre seu corpo.

c. 1336 a.C.

Desaparecimento do Registro

Nefertiti desaparece do registro histórico. Se morreu, foi politicamente afastada ou assumiu nova identidade como correinante ou governante única permanece uma das questões mais debatidas da egiptologia. Seu nome continua a aparecer em alguns objetos, sugerindo que talvez tenha sobrevivido em papel modificado.

c. 1332 a.C.

Tutancâmon Assume o Trono

O rei-menino Tutancâmon — filho de Aquenáton e de sua irmã de sangue, como confirmado por análise de DNA — ascende ao trono com aproximadamente nove anos de idade. Ele se casa com a terceira filha de Nefertiti, Anquesenamun. A revolução de Aton é revertida: os antigos deuses são restaurados, os templos reabertos, e a corte retorna a Tebas. Aquetáton é abandonada e, por fim, desmantelada para servir de material de construção.

Figuras Centrais

Aquenáton
Marido e Correvolucionário

Aquenáton

Nascido Amenófis IV, tornou-se o faraó mais controverso da história egípcia. Junto com Nefertiti, derrubou o sacerdócio de Amon e impôs a adoração de um único deus — Aton. É retratado em um estilo artístico alongado e distintivo que intriga estudiosos há mais de um século. Se foi um visionário monoteísta ou um autocrata sedento de poder depende de qual historiador se pergunta. Sua morte por volta de 1336 a.C. deixou a revolução sem seu arquiteto, e em uma geração todo vestígio de sua heresia estava sendo sistematicamente apagado.

Tutancâmon
Sucessor e Restaurador

Tutancâmon

O rei-menino que herdou os destroços da revolução de Aton. A análise de DNA confirmou que era filho de Aquenáton e da irmã de sangue de Aquenáton — mulher cujo nome permanece desconhecido. Assumiu o trono com cerca de nove anos e se casou com a terceira filha de Nefertiti, Anquesenamun. Seus conselheiros — incluindo Ai e o general Horemheb — conduziram a restauração dos antigos deuses, a reabertura dos templos e o abandono de Aquetáton. Morreu com cerca de dezenove anos, seu breve reinado ofuscado pela descoberta de seu túmulo quase intacto por Howard Carter em 1922 — o achado arqueológico mais famoso da história.

Nefertiti
A rainha que se ergueu como igual a um faraó — e então desapareceu.

O Legado de Nefertiti

O legado de Nefertiti é definido pelo paradoxo. Foi uma das mulheres mais poderosas do mundo antigo, e ainda assim não sabemos como morreu. Ajudou a criar uma religião revolucionária, e ainda assim seus sucessores passaram décadas tentando apagar cada vestígio dela. Seu busto pintado está entre as obras de arte mais reconhecidas da Terra — exibido no Neues Museum de Berlim, onde cerca de meio milhão de visitantes o admiram a cada ano — e ainda assim não podemos afirmar com certeza quem foram seus pais ou onde está sepultada.

O que sabemos é que, por cerca de dezessete anos, ela se ergueu ao lado de um faraó como sua igual, remodelou a teologia da mais antiga civilização da Terra e criou filhas que se casariam com reis. O fato de ter sido apagada da história por aqueles que vieram depois dela apenas torna a sobrevivência de sua imagem — serena, imperiosa, inconfundível — ainda mais notável. Leia sua história em suas próprias palavras no ePub em primeira pessoa.

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