Plato — O Filósofo Que Inventou o Ocidente

Clássica Filósofo
Plato — O Filósofo Que Inventou o Ocidente — book cover

O Filósofo Que Inventou o Ocidente

Nascimento c. 428 BC
Morte c. 348 BC
Região Grécia
DESCUBRA

Nos escombros da Atenas do século V a.C. — uma cidade humilhada por Esparta, convulsionada pela peste e traída por sua própria democracia — um jovem aristocrata chamado Platão viu o Estado executar o homem mais sábio que já conhecera. Aquela execução mudou o rumo da civilização ocidental. Platão não empunhou uma espada nem entrou para a política. Empunhou uma pena. Nos cinquenta anos seguintes, produziu um corpo de escritos filosóficos tão profundo e tão belo que Alfred North Whitehead viria a declarar que toda a filosofia ocidental não passava de "uma série de notas de rodapé a Platão". Fundou a Academia, a primeira instituição de ensino superior do mundo ocidental, e lecionou ali por quase quatro décadas — formando a mente que catalogaria o mundo, Aristóteles de Estagira.

“O começo é a parte mais importante da obra.”

Tempo de vida

c. 428–348 a.C.

Nascido em uma das famílias aristocráticas mais distintas de Atenas, durante a Guerra do Peloponeso. Morreu com aproximadamente oitenta anos, segundo consta em um banquete de casamento, ainda escrevendo — sua última obra, as Leis, foi encontrada em tábuas de cera junto ao seu leito.

Duração da Academia

~40 anos

Fundada por volta de 387 a.C. em um bosque sagrado ao herói Academo, fora das muralhas de Atenas. Funcionou ininterruptamente por quase 900 anos, até que o imperador Justiniano a fechou em 529 d.C. — a instituição de ensino superior mais duradoura da Antiguidade.

Diálogos escritos

36+

Platão escreveu ao menos trinta e seis diálogos e treze cartas (algumas de autenticidade contestada). Diferente de qualquer filósofo antes ou depois dele, escolheu o diálogo dramático como seu meio de expressão — cada obra é uma conversa, com Sócrates como personagem central na maioria delas.

Viagens a Siracusa

3

Três viagens perigosas a Siracusa, na Sicília, para pôr a filosofia em prática política. A primeira quase lhe custou a vida — segundo consta, foi vendido como escravo. A segunda e a terceira terminaram em prisão domiciliar e fuga por pouco.

Conhecido Por

Filósofo, fundador da Academia, autor da República e dos Diálogos

Eventos Decisivos

The Death of Socrates by Jacques-Louis David, 1787 — Socrates reaches for the hemlock cup
399 a.C.

A Morte de Sócrates

Platão tinha vinte e oito anos quando Atenas condenou Sócrates à morte por cicuta, sob acusações de impiedade e corrupção da juventude. Embora Platão estivesse, segundo relatos, doente e ausente da execução, o episódio tornou-se o trauma definidor de sua vida. Ele o imortalizou na Apologia, no Críton e no Fédon — três diálogos que transformaram Sócrates de um excêntrico ateniense no mártir fundador da filosofia ocidental. Tudo o que Platão construiu depois — a Academia, a Teoria das Formas, o filósofo-rei — foi, em certo sentido, uma resposta à pergunta: como se constrói uma cidade que não mata seus melhores homens?

The School of Athens by Raphael, 1509–1511 — Plato (left) points upward toward the Forms
c. 387 a.C.

A Fundação da Academia

Após anos de viagens — a Mégara, ao Egito, a Cirene e às comunidades pitagóricas do sul da Itália —, Platão retornou a Atenas e fundou uma escola em um bosque sagrado ao herói Academo, cerca de um quilômetro e meio a noroeste das muralhas da cidade. A inscrição sobre a entrada dizia, segundo consta: Ageōmetrētos mēdeis eisitō — 'Que não entre ninguém ignorante de geometria.' A Academia ensinava filosofia, matemática, astronomia e dialética. Tornou-se o centro intelectual do mundo grego e formou Aristóteles, Espeusipo, Xenócrates e gerações de pensadores que moldaram a civilização ocidental.

Plato's Allegory of the Cave, engraving by Jan Saenredam after Cornelis van Haarlem, 1604
c. 375 a.C.

A República e a Caverna

Em sua obra-prima, a República, Platão construiu o trabalho de filosofia política mais influente já escrito. Em seu núcleo está a Alegoria da Caverna — prisioneiros acorrentados na escuridão, tomando as sombras na parede por realidade, até que um deles é libertado e ascende à luz ofuscante da verdade. A República argumenta que a justiça exige que filósofos governem, que a alma tem três partes, e que a realidade suprema não consiste em coisas materiais, mas em Formas eternas e imutáveis — eidos. A obra nunca saiu de circulação em dois mil e quinhentos anos.

Linha do Tempo

c. 428 a.C.

Nascimento em Atenas

Nasce em uma das famílias aristocráticas mais proeminentes de Atenas, durante a Guerra do Peloponeso. Seu pai, Áriston, alegava descender do último rei de Atenas; sua mãe, Perictíone, era parente de Sólon, o legislador. Seu tio materno, Crítias, viria a se tornar líder dos Trinta Tiranos.

c. 408 a.C.

Conhece Sócrates

Com aproximadamente vinte anos, Platão encontra Sócrates e abandona suas ambições na poesia e na política para se dedicar à filosofia. Segundo Diógenes Laércio, Platão queimou seus poemas depois de ouvir Sócrates falar. Permaneceria discípulo de Sócrates por cerca de uma década.

404 a.C.

Os Trinta Tiranos

Atenas cai diante de Esparta. Uma junta oligárquica chamada os Trinta Tiranos toma o poder — liderada pelos próprios parentes de Platão, Crítias e Cármides. O reinado violento dura oito meses, até que a democracia é restaurada. Platão fica horrorizado com sua brutalidade e desiludido com a oligarquia.

399 a.C.

Julgamento e Morte de Sócrates

A democracia restaurada acusa Sócrates de impiedade e corrupção da juventude. Ele é condenado à morte por cicuta. Platão, segundo consta doente no dia da execução, imortaliza o episódio na Apologia, no Críton e no Fédon. O trauma o afasta de Atenas.

399–387 a.C.

Anos de Viagem

Platão deixa Atenas por mais de uma década. Viaja a Mégara (onde estuda com o filósofo Euclides), ao Egito (onde estuda matemática e astronomia), a Cirene, no norte da África, e ao sul da Itália, onde encontra as comunidades pitagóricas cujo misticismo matemático influencia profundamente seu pensamento.

c. 388 a.C.

Primeira Visita a Siracusa

Platão viaja a Siracusa, na Sicília, onde conhece o jovem nobre Díon e trava com ele uma profunda amizade. Também encontra o tirano Dionísio I, que se enfurece com a franqueza filosófica de Platão. Segundo relatos antigos, Dionísio entrega Platão a um embaixador espartano, que o vende como escravo em Egina. Platão é resgatado por Aniceris de Cirene.

c. 387 a.C.

Funda a Academia

Retorna a Atenas e funda a Academia em um bosque público sagrado ao herói Academo. Ela se torna a primeira instituição permanente de ensino superior do mundo ocidental, ensinando filosofia, matemática, astronomia e dialética por quase novecentos anos.

c. 375 a.C.

Escreve a República

Compõe a República, seu diálogo mais grandioso e ambicioso. A obra apresenta a Teoria das Formas, a Alegoria da Caverna, a alma tripartite e o argumento de que a justiça exige filósofos-reis. Seus irmãos Glauco e Adimanto aparecem como interlocutores.

367 a.C.

Segunda Visita a Siracusa

Dionísio I morre e é sucedido por seu filho Dionísio II. Díon persuade Platão a retornar a Siracusa para educar o jovem tirano em filosofia. O experimento fracassa — Dionísio II passa a desconfiar de Díon, exila-o e efetivamente coloca Platão sob prisão domiciliar. Platão escapa por pouco.

367 a.C.

Aristóteles Entra na Academia

Um jovem de dezessete anos vindo de Estagira, chamado Aristóteles, chega à Academia. Permanecerá por vinte anos — primeiro como aluno, depois como professor. Platão o teria chamado de 'a mente da escola' e de 'o leitor'. A relação intelectual entre os dois definirá o eixo da filosofia ocidental.

361 a.C.

Terceira Visita a Siracusa

Contra o conselho de amigos, Platão retorna a Siracusa pela terceira vez, a pedido insistente de Díon. A situação se deteriora ainda mais — Dionísio II confisca as propriedades de Díon e novamente confina Platão. Ele é resgatado por meio da intervenção do filósofo pitagórico Arquitas de Tarento.

c. 348 a.C.

Morte em Atenas

Platão morre com aproximadamente oitenta anos. Segundo a tradição, morreu em um banquete de casamento — embora alguns relatos digam que morreu tranquilamente enquanto dormia. Sua última obra, inacabada, as Leis, foi encontrada em tábuas de cera. A liderança da Academia passa a seu sobrinho Espeusipo, e não a Aristóteles.

Figuras Centrais

Sócrates
Mestre e Pai Filosófico

Sócrates

Sócrates nunca escreveu uma palavra sequer — tudo o que sabemos de seu pensamento nos chega através dos diálogos de Platão, onde ele aparece como o questionador incansável, o homem que sabia que nada sabia. Platão estudou sob Sócrates por cerca de uma década, de aproximadamente 408 a 399 a.C. Quando Atenas executou Sócrates sob acusação de impiedade, o Platão de vinte e oito anos ficou destroçado. Passou o resto da vida construindo o arcabouço filosófico que garantiria que nenhuma cidade jamais voltasse a destruir seu cidadão mais sábio — e imortalizando Sócrates em diálogos tão vívidos que a linha entre as ideias de Sócrates e as do próprio Platão é debatida há dois mil e quinhentos anos.

Aristóteles
Maior Discípulo e Herdeiro Intelectual

Aristóteles

Aristóteles chegou à Academia aos dezessete anos e ali permaneceu por vinte anos — mais tempo do que qualquer outro aluno. Platão reconheceu seu brilhantismo de imediato, chamando-o de 'a mente da escola'. Mas mestre e discípulo divergiram profundamente: onde Platão olhava para cima, em direção às Formas eternas, Aristóteles olhava para fora, em direção ao mundo observável. 'Platão me é caro', escreveria Aristóteles mais tarde, 'mas mais cara ainda é a verdade.' Quando Platão morreu, a liderança da Academia passou não a Aristóteles, mas ao sobrinho de Platão, Espeusipo — um desprezo, ou talvez o reconhecimento de que o caminho de Aristóteles estava em outro lugar. Aristóteles fundou o Liceu, e a tensão entre suas filosofias anima o pensamento ocidental desde então.

Plato
O filósofo que ensinou a humanidade a olhar além das sombras.

O Legado de Plato

A influência de Platão é tão fundamental que se torna quase invisível — tecida na própria trama do pensamento ocidental. Toda vez que distinguimos aparência de realidade, estamos pensando em seus termos. Toda vez que perguntamos o que é verdadeiramente a justiça, ou se a alma sobrevive à morte, ou que forma o Estado ideal deveria assumir, estamos fazendo suas perguntas. O conceito cristão de paraíso, a tradição islâmica de teologia racional, a fé do Iluminismo europeu na razão, a própria universidade moderna — todos remontam, em parte, a um bosque nos arredores de Atenas onde um aristocrata traumatizado decidiu que a única resposta à injustiça era a filosofia.

Ele estava errado em muitas coisas — seu desprezo pela democracia, sua desconfiança da arte, sua crença de que as mulheres eram inferiores. Mas foi o primeiro a insistir que a verdade existe além dos sentidos, que a vida examinada é a única vida que vale a pena viver, e que o propósito da educação não é encher a mente, mas voltá-la para a luz. Leia sua história em suas próprias palavras — o ePub em primeira pessoa o leva para dentro da mente que inventou a filosofia ocidental.

Leia a Biografia Completa em Primeira Pessoa

Descubra a história de Plato narrada pela própria voz do personagem — 8 capítulos de narrativa cinematográfica em primeira pessoa.

Continue a Conversa

Você já conhece a história. Agora pergunte o que quiser.

Falar com Plato