Catherine the Great — A Imperatriz Que Recriou a Rússia
A Imperatriz Que Recriou a Rússia
Na noite de 28 de junho de 1762, uma princesa alemã de trinta e três anos cavalgou pelas ruas de São Petersburgo vestindo o uniforme emprestado de um oficial, à frente de catorze mil soldados que haviam jurado fidelidade a ela naquela mesma manhã. Ao amanhecer, seu marido — o czar Pedro III — havia abdicado, e a mulher nascida Sophie Friederike Auguste von Anhalt-Zerbst havia se tornado Catarina II, Imperatriz e Autocrata de Todas as Rússias. Ela ocuparia esse título por trinta e quatro anos, expandindo as fronteiras da Rússia, reformando suas leis, fundando seu maior museu e correspondendo-se com as mentes mais brilhantes do Iluminismo europeu.
“Serei uma autocrata: esse é o meu ofício. E o bom Deus há de me perdoar: esse é o dele.”
1729–1796
Nascida em Stettin, Prússia (atual Szczecin, na Polônia), como uma princesa alemã de linhagem menor. Morreu em São Petersburgo como a governante mulher que mais tempo permaneceu no poder na história russa. Sessenta e sete anos que transformaram o Império Russo.
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Governou de 1762 a 1796 — mais tempo do que qualquer outra imperatriz russa. Sob seu reinado, a população da Rússia cresceu de 23 milhões para 37 milhões, e seu território se expandiu em mais de 200,000 milhas quadradas.
200,000 mi²
Anexou a Crimeia, participou da partilha da Polônia, avançou para o sul até o mar Negro e expandiu-se para o Cáucaso. Sob seu governo, a Rússia se tornou o maior império da Terra.
4,000+
A coleção de arte pessoal de Catarina cresceu para mais de quatro mil pinturas — o alicerce do Museu Hermitage, hoje um dos maiores e mais visitados museus do mundo.
Imperatriz da Rússia, reformadora iluminista, expansionista territorial, mecenas das artes e das letras
Eventos Decisivos
O Golpe de 1762
Catarina derrubou o próprio marido num golpe de palácio sem derramamento de sangue, que permanece uma das tomadas de poder mais dramáticas da história europeia. Apoiada pelos irmãos Orlov e pelos regimentos de elite da Guarda Izmailovsky e Semenovsky, ela cavalgou até o Palácio de Inverno vestindo o uniforme de um oficial da guarda, enquanto Pedro III, isolado em Oranienbaum, assinava sua abdicação sem oferecer resistência. Em poucos dias, Pedro estava morto — oficialmente de 'cólica hemorroidária', embora poucos acreditassem nisso. Catarina jamais se pronunciou publicamente sobre sua morte, e a questão de seu envolvimento assombra os historiadores até hoje.
O Nakaz e a Reforma Legal
Catarina passou dois anos escrevendo o Nakaz — sua 'Instrução' à Comissão Legislativa — um manifesto de 526 artigos que se apoiava em O Espírito das Leis, de Montesquieu, e em Dos Delitos e das Penas, de Beccaria. O documento condenava a tortura, defendia a tolerância religiosa e o princípio de que a lei deveria servir à felicidade do povo. Era tão radical que acabou proibido na França — o próprio país cujos filósofos o haviam inspirado. Embora a Comissão em si tenha produzido pouca legislação, o Nakaz consagrou Catarina como a mais poderosa mecenas do Iluminismo e moldou o pensamento jurídico russo por décadas.
A Anexação da Crimeia
Após duas guerras contra o Império Otomano (1768–1774 e 1787–1792) e anos de manobras diplomáticas, Catarina anexou o Canato da Crimeia em 1783 — garantindo à Rússia acesso permanente ao mar Negro e uma base naval de águas quentes em Sebastopol. A conquista realizou uma ambição estratégica que escapara aos governantes russos por séculos. Seu parceiro nessa conquista foi Grigory Potemkin, que governou os territórios meridionais recém-adquiridos e construiu a Frota do mar Negro a partir do nada. A famosa (e majoritariamente mítica) história das 'aldeias de Potemkin' data desse período.
Linha do Tempo
Nascimento em Stettin
Nasceu Sophie Friederike Auguste von Anhalt-Zerbst em 2 de maio, em Stettin, na Pomerânia (atual Szczecin, na Polônia). Seu pai era um príncipe prussiano de linhagem menor; sua mãe, Johanna Elisabeth, era muito mais ambiciosa e bem relacionada. A família era nobre, mas não rica — Sophie cresceu num lar modesto se comparado às grandes cortes da Europa.
Chamada à Rússia
Aos catorze anos, Sophie foi convidada à Rússia pela imperatriz Isabel como possível noiva para o herdeiro, o grão-duque Pedro. Chegou a Moscou em fevereiro, começou de imediato a aprender russo e a estudar a teologia ortodoxa, e foi recebida na Igreja Ortodoxa Russa como Yekaterina Alexeyevna — Catarina. Ela se entregou à tarefa de se tornar russa com uma determinação que impressionou até mesmo Isabel.
Casamento com Pedro III
Casou-se com o grão-duque Pedro numa cerimônia suntuosa na Igreja de Nossa Senhora de Cazã, em São Petersburgo. O casamento foi infeliz desde o início. Pedro era infantil, obcecado por soldadinhos de brinquedo, e admirava abertamente Frederico, o Grande, da Prússia. Catarina escreveria mais tarde que passou a noite de núpcias sozinha, enquanto Pedro brincava com seu exército em miniatura.
Nascimento de Paulo
Deu à luz seu filho Paulo, o futuro czar Paulo I. A imperatriz Isabel tomou a criança para si de imediato, a fim de criá-la, deixando Catarina isolada e enlutada. A paternidade de Paulo é debatida há séculos — a própria Catarina foi ambígua a esse respeito em suas memórias, embora a maioria dos historiadores acredite que Pedro era o pai.
O Golpe
Derrubou Pedro III num golpe de palácio apoiado pelos irmãos Orlov e pelos regimentos da guarda. Pedro abdicou e foi levado a Ropsha, onde morreu dias depois em circunstâncias misteriosas. Catarina foi coroada Imperatriz na Catedral da Dormição, em Moscou, em 22 de setembro, dando início a um reinado de trinta e quatro anos.
Publicação do Nakaz
Convocou a Comissão Legislativa e apresentou seu Nakaz — uma instrução de 526 artigos para a reforma legal, inspirada em Montesquieu e Beccaria. O documento pedia tolerância religiosa, limites à tortura e o princípio de que as leis deveriam promover a felicidade do povo. A França o proibiu; Voltaire o elogiou como 'o mais belo monumento do século'.
A Rebelião de Pugachev
O cossaco Yemelyan Pugachev liderou o maior levante camponês da história russa, alegando ser Pedro III, miraculosamente sobrevivido. A rebelião engolfou a região do Volga e os Urais antes que os exércitos de Catarina a esmagassem. Pugachev foi executado em Moscou em janeiro de 1775. A rebelião abalou a fé de Catarina na reforma vinda de baixo e fortaleceu sua aliança com a nobreza.
Anexação da Crimeia
Anexou formalmente o Canato da Crimeia, garantindo à Rússia o acesso ao mar Negro. Grigory Potemkin governou os novos territórios e construiu a Frota do mar Negro. A anexação foi uma das maiores conquistas geopolíticas de Catarina e permanece relevante até hoje.
Figuras Centrais
Grigory Potemkin
O relacionamento mais importante da vida de Catarina. Potemkin era um herói de guerra que perdera um olho e que se tornou amante de Catarina em 1774, podendo até tê-la desposado em segredo. Mesmo depois que o romance terminou, ele permaneceu seu parceiro político mais próximo por quase duas décadas. Anexou a Crimeia, construiu a Frota do mar Negro, governou os territórios meridionais da Rússia e foi, na prática senão no título, seu cogovernante. Quando morreu em 1791, à beira de uma estrada na Bessarábia, Catarina desmoronou e não conseguiu trabalhar por dias. 'Meu aluno, meu amigo, quase meu ídolo', ela escreveu.
Voltaire
Catarina e Voltaire trocaram cartas por quinze anos (1763–1778), uma correspondência que moldou a reputação de ambos. Voltaire a chamava de 'a Estrela do Norte' e 'a Semíramis da Rússia'; ela usava seus elogios para lustrar sua imagem de soberana iluminista. Após a morte dele, em 1778, Catarina comprou toda a sua biblioteca pessoal, de quase sete mil volumes, e instalou-a no Hermitage. A relação entre os dois era tão política quanto intelectual — cada um usava o outro para projetar a imagem de filósofo e soberana esclarecida unidos pela razão.
O Legado de Catherine the Great
Catarina, a Grande, permanece uma das governantes mais decisivas da história europeia. Ela expandiu as fronteiras da Rússia em mais de duzentas mil milhas quadradas, garantiu acesso permanente ao mar Negro, apagou a Polônia do mapa através das partilhas e transformou São Petersburgo em uma das grandes capitais da Europa. Fundou o Hermitage, reformou a administração provincial, criou as primeiras escolas femininas financiadas pelo Estado na Rússia e correspondeu-se com as maiores mentes do Iluminismo — tudo isso enquanto governava como autocrata absoluta sobre milhões de servos cuja condição, no fim das contas, pouco fez para melhorar.
Ela era uma contradição ambulante: uma alemã que se tornou mais russa do que os russos, uma discípula de Voltaire que esmagou rebeliões camponesas, uma defensora da reforma legal que governava por decreto pessoal. Mas contradições são a moeda do poder, e Catarina as gastou com fartura. Leia sua história em suas próprias palavras — o ePub em primeira pessoa o leva para dentro da mente da mulher que refez a Rússia.
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