Zheng He — O Almirante Que Alcançou os Confins da Terra

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Zheng He — O Almirante Que Alcançou os Confins da Terra — book cover

O Almirante Que Alcançou os Confins da Terra

Nascimento c. 1371
Morte 1433
Região China / Oceano Índico
DESCUBRA

Entre 1405 e 1433, um eunuco muçulmano chinês chamado Zheng He liderou sete viagens pelo Oceano Índico à frente da maior frota que o mundo já vira. Em seu auge, sua armada contava com 317 navios e quase 28.000 homens — navios de guerra, navios do tesouro, transportes de cavalos e embarcações de suprimento que se estendiam pelo horizonte até onde a vista alcançava. Visitou mais de trinta reinos, dos portos de Java às cortes de Calicute, dos estreitos de Ormuz às costas da África Oriental. Então, dentro de uma geração após sua morte, a frota foi dissolvida, os registros foram queimados, e a China virou as costas para o mar.

“Atravessamos mais de 100.000 li de imensos espaços aquáticos e contemplamos no oceano ondas enormes como montanhas que se erguiam até o céu.”

Duração da vida

c. 1371–1433

Nascido Ma He na Província de Yunnan, em uma família muçulmana Hui. Capturado ainda menino durante a conquista Ming, castrado e transformado em eunuco palaciano. Morreu no mar, na etapa de retorno de sua sétima viagem, com aproximadamente sessenta e um ou sessenta e dois anos.

Viagens Comandadas

7 viagens

Sete grandes viagens entre 1405 e 1433, cobrindo o Oceano Índico do Sudeste Asiático ao Golfo Pérsico e à África Oriental. A primeira partiu em 11 de julho de 1405 — data hoje celebrada como o Dia Marítimo da China.

Frota da Primeira Viagem

317 navios

A frota da primeira viagem era composta por 317 embarcações e aproximadamente 27.800 homens — marinheiros, soldados, diplomatas, tradutores, médicos, astrônomos e clérigos muçulmanos. Os navios-capitânia do tesouro (baochuan) eram, por qualquer medida, as maiores embarcações de madeira já construídas.

Reinos Alcançados

30+ reinos

Ao longo de sete viagens, a frota estabeleceu contato com mais de trinta reinos no Sudeste Asiático, no Sul da Ásia, no Golfo Pérsico, no Mar Vermelho e na África Oriental — estabelecendo relações tributárias que ligaram metade do mundo do Oceano Índico à corte Ming.

Conhecido Por

Comandante das frotas do tesouro da dinastia Ming; liderou sete viagens da China ao Sudeste Asiático, à Índia, à Arábia e à África Oriental

Eventos Decisivos

Scale model of a Ming dynasty treasure ship at the International Maritime Museum, Hainan
1403–1405

Os Navios do Tesouro

Os navios-capitânia baochuan — navios do tesouro — eram a maravilha de engenharia de sua época. A História dos Ming registra o maior deles com 44 zhang de comprimento e 18 zhang de largura; estudiosos modernos estimam entre 60 e 90 metros, ainda assim de três a cinco vezes o comprimento da Santa María de Colombo, que navegaria o Atlântico oitenta anos depois. Com nove mastros, divididos por anteparas estanques, tripulados por centenas de homens, não eram meros navios, mas palácios flutuantes — carregando seda, porcelana e o prestígio imperial da maior potência da Terra.

Tribute Giraffe with Attendant — Chinese court painting, c. 1414
1414

A Girafa de Tributo

No retorno da quarta viagem, enviados do porto da África Oriental de Malindi presentearam o imperador Yongle com uma girafa viva — a primeira já vista na China. A corte imediatamente a identificou como um qilin, o mítico unicórnio chinês que aparece apenas durante o reinado de um imperador supremamente virtuoso. O animal foi recebido como confirmação divina da legitimidade do imperador Yongle. Pintores da corte foram convocados para registrar o momento. Para Zheng He, a girafa era a prova de tudo o que as viagens haviam conquistado: o mundo viera prestar tributo.

Portrait of Zheng He
1431

A Estela de Changle

Antes de partir para sua sétima e última viagem, Zheng He ergueu uma estela de pedra no Templo da Esposa Celestial em Changle, Fujian — um dos poucos registros sobreviventes em sua própria voz. Nela, descreve ter cruzado 'mais de 100.000 li de imensos espaços aquáticos', mares onde 'ondas enormes como montanhas se erguiam até o céu', e uma frota que navegava 'rapidamente como uma estrela, atravessando aquelas ondas selvagens como se trilhássemos uma via pública'. É a inscrição de um homem que sabia, aos sessenta anos, que estava prestes a navegar pela última vez.

Linha do Tempo

c. 1371

Nascimento em Yunnan

Nasceu como Ma He em Kunyang, Província de Yunnan, em uma família muçulmana Hui descendente de Sayyid Ajjal Shams al-Din Omar, um governador coresmiano de Yunnan sob os mongóis. Seu pai, Mir Tekin, e seu avô, Charameddin, haviam ambos completado o hajj a Meca. Crescendo, Ma He ouvia suas histórias de terras distantes — os primeiros mapas traçados na imaginação de uma criança.

c. 1381

Captura e Castração

Quando as forças Ming sob o comando de Fu Youde reconquistaram Yunnan da remanescente administração mongol, Ma He — com aproximadamente dez anos — estava entre os meninos capturados. Foi castrado e forçado ao serviço como eunuco palaciano, designado à casa de Zhu Di, Príncipe de Yan, em Beiping. O ato que o desfez como homem o faria como almirante: o serviço ao mais ambicioso príncipe da China.

1399–1402

A Campanha Jingnan

Quando Zhu Di lançou sua guerra civil para tomar o trono de seu sobrinho, o imperador Jianwen, Ma He lutou ao seu lado durante toda a Campanha Jingnan. Distinguiu-se defendendo o reservatório de Zhenglunba em 1399 — um confronto inicial que ajudou a garantir o abastecimento de água da capital. Quando os exércitos de Zhu Di tomaram Nanquim em julho de 1402, Ma He estava entre os oficiais que haviam se mostrado leais ao longo de quatro anos de guerra.

1404

Renomeado Zheng He

No Ano-Novo Chinês, 11 de fevereiro de 1404, o recém-coroado imperador Yongle conferiu formalmente o sobrenome Zheng a Ma He — uma das mais altas honrarias que um imperador poderia conceder a um eunuco. Doravante, Ma He era Zheng He: almirante, diplomata e o instrumento pelo qual a dinastia Ming se anunciaria ao mundo.

1405–1407

A Primeira Viagem

Partindo de Suzhou em 11 de julho de 1405, a primeira frota do tesouro contava com 317 navios e aproximadamente 27.800 homens. Ao largo de Palembang, em Sumatra, as forças de Zheng He esmagaram a frota pirata de Chen Zuyi — um fora da lei chinês que aterrorizava o comércio regional — e o capturaram vivo. A frota chegou a Calicute, na costa de Malabar da Índia, trocou presentes diplomáticos e retornou a Nanquim trazendo o tributo de Champa, Malaca, Java e Ceilão.

1409–1411

Batalha no Ceilão

Durante a terceira viagem, o rei Alagakkonara do Ceilão — o antigo Sri Lanka — recusou-se a negociar com a frota Ming e ameaçou um ataque. Zheng He agiu primeiro. Desembarcando uma força de dois mil soldados, capturou o rei e vários membros importantes da família real, levando-os a Nanquim. O imperador Yongle, demonstrando a magnanimidade que as viagens deveriam projetar, libertou Alagakkonara e instalou um governante mais cooperativo. O Ceilão foi pacificado sem uma ocupação prolongada.

1413–1415

Alcançando o Golfo Pérsico

A quarta viagem estendeu-se mais longe do que qualquer expedição anterior — Ormuz, Áden, Jidá e as cortes de dezenove reinos. O intérprete de árabe de Zheng He, Ma Huan, um chinês muçulmano, registrou os costumes, leis e economias de cada porto com detalhe meticuloso. De Jidá, um grupo de tripulantes muçulmanos viajou por terra até Meca. Enviados de dezenove reinos retornaram com a frota para prestar tributo em Nanquim. A girafa de tributo de Malindi chegou nesse ano.

1417–1419

África Oriental

A quinta viagem alcançou a costa da África Oriental pela primeira vez: Mogadíscio e Brava, na atual Somália, Malindi e Mombaça, no atual Quênia. A frota retornou à China com leões, avestruzes, zebras, órix e mais girafas — um verdadeiro zoológico de exotismos. A África Oriental não foi conquistada; foi cortejada. O sistema de tributos que ligava esses portos distantes à China foi construído não sobre a ocupação, mas sobre o benefício mútuo e o prestígio avassalador da corte Ming.

1431–1433

A Sétima e Última Viagem

Revivida pelo imperador Xuande após uma suspensão de sete anos, a sétima viagem partiu no inverno de 1431 com mais de cem navios e mais de 27.000 homens. A frota visitou Ormuz, Áden e os portos da África Oriental. Zheng He morreu na etapa de retorno, provavelmente perto de Calicute, em abril ou maio de 1433, com aproximadamente sessenta e um anos. Seu corpo foi sepultado no mar. Havia dado sua vida ao oceano que servira por quase três décadas.

Figuras Centrais

Imperador Yongle (Zhu Di)
Patrono Imperial

Imperador Yongle (Zhu Di)

O imperador Yongle — terceiro governante da dinastia Ming, usurpador, construtor da Cidade Proibida e do Grande Canal — foi a força por trás de cada viagem. Sua relação com Zheng He era de confiança mútua absoluta: rara entre qualquer imperador e qualquer servo, mais rara ainda entre um imperador e um eunuco. Yongle encomendou as frotas do tesouro para anunciar a supremacia Ming ao mundo. Quando morreu em 1424, seu filho suspendeu as viagens imediatamente. Sem Yongle, não haveria viagens. Sem Zheng He, não haveria como executá-las.

Ma Huan
Intérprete-Chefe e Cronista

Ma Huan

Um muçulmano chinês de Zhejiang, fluente em árabe e persa, Ma Huan navegou com Zheng He na quarta, sexta e sétima viagens como intérprete-chefe. Sua obra-prima, o <em>Yingya Shenglan</em> — 'Levantamento Geral das Margens do Oceano', finalizado em 1451 — é o mais importante relato de testemunha ocular das viagens. Registrou a geografia, as leis, os produtos comerciais, as religiões, os costumes e a flora e fauna de cada porto visitado com a precisão de um erudito treinado. Sem Ma Huan, as viagens de Zheng He seriam pouco mais do que uma lista de datas nos registros imperiais.

Zheng He
A girafa de tributo de Malindi — prova de que o mundo viera até a China.

O Legado de Zheng He

Zheng He morreu no mar em 1433, retornando de sua sétima viagem. Foi sepultado nas águas que passara a vida atravessando. Um cenotáfio foi erguido no Monte Niushou, em Nanquim — vinte e oito degraus de pedra, quatro grupos de sete, um para cada viagem — mas o verdadeiro monumento que deixou não estava em pedra alguma.

Dentro de uma geração após sua morte, os letrados-burocratas confucionistas que sempre se opuseram às viagens, considerando-as extravagâncias dispendiosas de eunucos, moveram-se para apagar por completo seu legado. Os grandes estaleiros silenciaram. Construir embarcações de alto-mar tornou-se ilegal. E em 1479, o erudito Liu Daxia teria queimado ou suprimido as cartas náuticas e diários de bordo de Zheng He, chamando as viagens de 'exageros enganosos de coisas bizarras, distantes da verdade'. O Oceano Índico ficou sem seu maior navegador.

Em 1498 — sessenta e cinco anos após a última visita de Zheng He a Calicute — Vasco da Gama contornou a África e alcançou o mesmo porto. A era do império marítimo europeu havia começado. Leia a história de Zheng He em suas próprias palavras — o ePub em primeira pessoa o leva a bordo da maior frota que o mundo já vira.

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